AQ na Wikipedia, Gil Henriques

http://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Queerogr%C3%A1fico

“O Acordo Queerográfico (AFI: [ɐˈkoɾdu kwɪəɾɔˈɡɾafiku]) é um movimento criado em maio de 2013, que visa reinventar a linguagem, em particular a língua portuguesa, de forma não sexista, não transfóbica e inclusiva.1 Procura-se assim mudar o paradigma da linguagem como fonte de desigualdades.

Índice

Etimologia

O nome do movimento é uma referência ao Acordo Ortográfico de 1990 e consiste numa palavra-valise com o termo queer (palavra que designa um grupo de pessoas dispostas a romper com a ordem social heteronormativa e com a ordem homossexual padronizante, que é vista como excluindo condutas sexuais socialmente estigmatizadas).

Precedentes

O conceito de linguagem inclusiva tem uma história tanto dentro da academia como entre pensadorxs feministas ou ativistas LFBTQIAP. Por exemplo, em inglês tornou-se comum em ambientes académicos e governamentais empregar alguns elementos de linguagem inclusiva no que respeita ao género.2

Pelo final do século XX, autorxs feministas começavam a argumentar que a prática de atribuir o género masculino a antecedentes genéricos era um reflexo dos preconceitos da sociedade em que [a linguagem] evoluiu […], uma sociedade patriarcal e androcêntrica.3

As soluções propostas para atingir a neutralidade de género são diferentes dependendo das linguagens, devido às suas especificidades. O português e o espanhol, por exemplo, têm género gramatical, e, como noutras línguas românicas, é tradicional o uso da forma masculina dos substantivos e pronomes para se referir a grupos de pessoas, pessoas de género desconhecido, entre outros.

As propostas para linguagem inclusiva em português e espanhol incluem o uso de arroba,4 barra,4 ligadura tipográfica,4 A num círculo, asterisco, X, entre outras.

O Acordo Queerográfico também recorreu a inspiração em linguagens sem género gramatical ou propostas de inclusão linguística noutras linguagens, como o pronome hen neutro em sueco.5

Conceito

A fim de ultrapassar as regras de género do plural e o binarismo de género instituído, o acordo queerográfico apela ao uso academicamente incorreto de numerosas alternativas inclusivas:

Que se pratique o duplo plural ora em constância, referindo sempre “todos e todas”, ora em alternância, usando também “todas” como plural genérico; que se aplique a arroba quando se quiser considerar dois géneros sem repetir a palavra, falando de “velh@s”; que se comunique sem género, onde ainda não foi incrustado; que se criem palavras onde não existiam, falemos “da Presidenta”; que se faça do incómodo X, ou do silencioso *, motivo de conversa, de debate, de desestagnação, falando “dxs pessoas”, “dxs prostitutxs”, ou grafando ”tod*s *s estudantes”; que se parta os joelhos ao “Homem” como símbolo da humanidade e se fale “da Mulher”, ou “dx Trans”; ou que se torne caótica a representação de género, que se deixe explícita a discordância que quiseram apagar do exprimível, falando “da rapaz”, “do diva”; que o façamos mesmo no traduzir, reconhecendo o processo instituído tão político quanto o nosso.1

Ao contrário das propostas de reforma inclusiva referidas anteriormente, o Acordo Queerográfico não procura instituir um novo conjunto de regras a ser empregue universalmente de forma linguisticamente prescritiva: de acordo com o manifesto, “onde reina a calma o nosso objectivo será o caos, a confusão”.1 Ao procurar ultrapassar as limitações sexistas da linguagem, xs subscritorxs dx Acordo Queerográfico pretendem “que se deixe explícita a discordância que quiseram apagar do exprimível”.1

Não se trata, pois, de criar uma nova norma, de dizer como todxs devem escrever daqui para a frente, de instituir o novo orthos, de erguer um fascismo linguístico. Foi isto que aprendemos com o queer: as novas normas que criarmos viverão da sua contingência, a sua necessidade surge do contexto, a sua arte é a não estagnação. Poder criar da subjectividade, sem cair numa relativização que valide o instituído. Liberar a palavra.1

O objetivo último do acordo queerográfico é, pela reinvenção da língua (encarada como tecido político), permitir a reflexão sobre (e subversão do) paradigma heteropatriarcal.1 O fundamento conceptual deste movimento é, pois, a ideia da linguagem como fenómeno capaz de alterar a própria perceção.

Artigo escrito à luz do Acordo Queerográfico. ”

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